Vermelho Vibrante

Vermelho Vibrante

domingo, 17 de junho de 2007

Preguiçando

Existem dias que o melhor a fazer é... não fazer! Nestes dias, Valentina Vitoria experimenta a vida como se todo tempo do mundo só existisse para ela.


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A poeira estava lenta. Pequenos pontos brilhantes surgiam e desapareciam quando cruzavam os raios que penetravam pelas frestas que a cortina permitia passar. O dia estava tranqüilo.

Os sons que vinham de fora traziam o canto do bem-te-vi e de pardais. Apurando mais o ouvido era possível reconhecer o chiado das andorinhas em busca de insetos, cortando o ar como flechadas sem direção.

Alguns segundos traziam a sensação do silêncio em repouso, fazendo crer que o mundo está parado. No instante seguinte, descongelava. O tempo caminhava a lentos passos.

Antes de abrir os olhos, o cheiro da hora de acordar invadia o cérebro: bolo de laranja e café quente e forte. Ao esticar todas as extremidades do corpo a languidez tomou conta do ambiente. A idéia era despertar daquele momento. Pular da cama com a vontade de correr de um lado para o outro sem parar. Mentira! Olhou para o lado e viu que o gato permanecia imóvel, compartilhando daquele momento parcialmente.

Sentir o chão frio sob os pés alertou todos os sentidos que estavam momentaneamente adormecidos. Respirou fundo, ergueu o corpo sem vontade de chagar a lugar algum. Mas já que tinha que ir, escolheu a direção do banheiro. A água fria retida entre os dedos separava o momento anterior, despertando ratos e lagartos que se encontravam encolhidos em algum local da mente ainda sonolenta.

O reflexo do espelho tinha porta e janela ao fundo. O rosto era desconhecido e procurava alguém que gostaria de reconhecer. A única semelhança era o nariz. Distingue e desiguala os seres vivos. Concluiu que o melhor era voltar a dormir apesar do cheiro delicioso que vinha da cozinha. Proibiu-se de escutar as vozes que exigiam a presença de carne e osso daquele ser que desejava regressar ao ninho e ao mundo das ilusões. Deitou-se, virou para o lado e dormiu.

A poeira continuava demoradamente o passeio pelos raios de sol.

4 comentários:

INTERVALO CULTURAL RIO disse...

Ancorada na paisagem bucólica, Valentina, e pela decisão de "voltar a deitar-se e dormir" confirma que todos temos nossos dias de "gatos na espreguiçadeira". E isso nos faz um bem danado... (risos).
Beijo grande no coração!

Melhor Amiga de Valentina Vitoria disse...

Filardi, querido!

Ah... a vida Garfieldiana de ser... o bem que proporciona é miraculoso!

Grata pelo carinho.

Beijo

Anônimo disse...

Ai Valentina Vitória..., tenho passado tanto isso aos fins de semana. (Mas só pela manhã...Eu juro!)

Um beijo grande
Mari Pequenina

Melhor Amiga de Valentina Vitoria disse...

Sweet Mari Pequenina,

É tudo de bom nos permitirmos estes momentos do "não fazer".

Agradecida pelo privilégio de tua visita e ilustre comentário. Venha sempre!

Beijo